Como pensamos

 

A propaganda brasileira tem lá os seus deuses. Talvez por isso se apegue tanto ao criacionismo como tábua de salvação.

Mas a terra prometida mudou. Antigos mandamentos não funcionam tão bem como outrora. Os fiéis consumidores ainda buscam a luz na frente de uma tela. E não só naquela em que precisam dobrar os joelhos para assistir. Pregar para uma multidão está cada vez mais difícil, porque ela está dispersa em novos cultos. O “não matarás a ideia” hoje depende mais de um dilúvio de likes do que jamais se imaginou. 

Por isso, é bom ficar atento a uma nova corrente que vem surgindo aí, mais darwinista. Que defende que as agências devem evoluir na sua forma de agir para se adaptar a esse mercado. Que questiona os dízimos cobrados da mesma forma para diferentes tipos de milagres. E que não vem sempre com a mesma ideia de transformar água em vinho ou de ressuscitar uma celebridade aqui ou ali. 

Uma corrente que traz uma forma mais dinâmica de pensar. Que acredita na tecnologia como uma ferramenta de sobrevivência. Que se baseia em dados, e não só em crenças. Que experimenta o novo antes de condená-lo. Que tenta novas soluções para velhos dilemas, combinando criatividade e estratégia.

Afinal, não adianta sempre criar um mundo em sete dias se, no sétimo, em vez de descansar, começa a refação.